João Fonseca precisou de um set para ajustar o alvo em Paris. A partir daí, tomou conta da estreia em Roland Garros na tarde deste domingo (24) e confirmou a condição de principal nome do tênis masculino brasileiro na atualidade. Número 1 do país e 30º do mundo, o carioca de 19 anos derrotou o francês Luka Pavlovic, vindo do quali e 241º do ranking, por 7/6 (8-6), 6/4 e 6/2, em 2h14 de partida, avançando à segunda rodada do Grand Slam francês.
A vitória confirma o bom histórico de Fonseca em grandes torneios. Em seu sexto Grand Slam como profissional, ele chega à sétima vitória em 12 partidas disputadas nesse nível. O único torneio em que não passou da estreia foi o Australian Open desta temporada. Em Roland Garros, o brasileiro tenta repetir a campanha de 2025, quando alcançou a terceira rodada, caindo diante do britânico Jack Draper.
O resultado também dá continuidade a um ano em que Fonseca se firmou no circuito ATP. Disputando apenas torneios de primeira linha em 2026, o carioca soma agora 11 vitórias e 9 derrotas, com destaque para as quartas de final em Monte Carlo e Munique, resultados importantes no saibro europeu. Em Madri e Roma, porém, foi eliminado nas estreias. Ele abriu mão de atuar no ATP 500 de Hamburgo na semana anterior a Roland Garros, por desconforto no punho, mas já havia garantido na coletiva pré-torneio que chegava a Paris em melhores condições físicas.

Na próxima fase, o caminho de Fonseca passa por outro representante da nova geração. O adversário será o croata Dino Prizmic, de 20 anos, atual 72 do mundo, que abriu sua campanha em Roland Garros com uma vitória contundente sobre o norte-americano Michael Zheng, parciais de 6/1, 6/1 e 6/3. O duelo entre Fonseca e Prizmic está previsto para acontecer apenas na quarta-feira.
Para o croata, o triunfo sobre Zheng teve sabor especial: foi sua primeira vitória em chaves principais de Grand Slam, em sua quarta participação nesse tipo de torneio. Prizmic chega a Paris credenciado também por um resultado expressivo em Roma, onde derrotou o sérvio Novak Djokovic na segunda rodada. Caso avancem, Fonseca ou Prizmic podem justamente cruzar com Djokovic, tricampeão em Roland Garros, em uma hipotética terceira rodada, prevista para sexta-feira. O cenário adiciona um componente extra de expectativa ao confronto entre dois jogadores que representam o futuro do circuito.
Na estreia contra Pavlovic, o equilíbrio marcou o início do confronto. O primeiro set, com 1h07 de duração, foi o mais tenso da tarde. Fonseca começou encarando games longos no próprio saque e sofreu a primeira quebra no sétimo game, depois de quatro break-points salvos pelo francês, que variava bem com curtinhas e lobs para tirar o brasileiro da zona de conforto no fundo de quadra. A resposta veio na sequência: agressivo nas devoluções, o carioca recuperou a quebra no oitavo game e virou o momento da partida.
Já mais firme, Fonseca ainda teve três set-points quando vencia por 6/5, mas não conseguiu fechar a parcial naquele momento. A decisão foi para o tiebreak, em que o brasileiro precisou inclusive salvar um set-point antes de virar para 8-6. Os números do primeiro set mostraram um duelo aberto: Pavlovic terminou com 18 bolas vencedoras, contra 10 de Fonseca, mas pagou caro pelos riscos. Foram 23 erros não-forçados do francês, frente a apenas 13 cometidos pelo brasileiro, diferença que pesou na hora de decidir.
Com a vantagem no placar, Fonseca ajustou o saque e passou a controlar melhor as trocas de bola no segundo set. O brasileiro cedeu apenas cinco pontos em todos os seus games de serviço e enfrentou só um break-point em toda a parcial. A quebra conquistada ainda no início do set foi suficiente para administrar a vantagem. Cada vez mais confiante, ele começou a pressionar o saque de Pavlovic com maior frequência, encurtando pontos e impondo mais intensidade. O francês já não mantinha o mesmo nível físico e técnico do começo da partida.
Na terceira parcial, o cenário se consolidou de vez a favor do número 1 do Brasil. Fonseca abriu rapidamente 4/1 e, mesmo sofrendo uma quebra, reagiu de imediato, voltou a liderar com folga e encerrou a partida com um game de serviço firme e rápido. Pavlovic deixou a quadra com 38 winners, contra 24 do brasileiro, mas também com 51 erros não-forçados, mais que o dobro dos 19 cometidos por Fonseca. Nas oportunidades de quebra, o carioca foi mais eficiente: converteu 5 de 9 break-points e perdeu apenas dois games de saque em todo o jogo.
Além de manter viva a defesa dos pontos da terceira rodada do ano passado, a estreia positiva em Paris reforça a sensação de que Fonseca começa a se consolidar no circuito também em melhor de cinco sets, algo que costuma exigir adaptação dos jogadores mais jovens. O duelo contra Dino Prizmic, um dos talentos mais comentados da nova geração, será mais um teste importante para medir o quanto o brasileiro evoluiu em consistência e capacidade de gestão de momentos de pressão.
Caso avance, a perspectiva de cruzar com Novak Djokovic na terceira rodada projeta um possível confronto que, mais do que apenas um jogo, seria um marco na trajetória de um dos principais nomes da nova geração do tênis brasileiro diante de uma das maiores lendas do esporte.

