Beatriz Haddad Maia voltou a deixar Roland Garros mais cedo do que gostaria. Semifinalista do Grand Slam francês em 2023, a número 1 do Brasil foi derrotada neste domingo, 24, pela britânica Francesca Jones, 102ª do mundo, por 2 sets a 1, parciais de 6/1, 6/7(4) e 2/6, e caiu ainda na primeira rodada no saibro de Paris.
O resultado aprofunda a fase delicada da paulista em 2026: a brasileira soma apenas quatro vitórias no ano e já contabiliza 16 derrotas, cenário que deve fazê‑la deixar novamente o top 100 na próxima atualização do ranking da WTA. Em 2025, Bia já havia se despedido na estreia em Roland Garros, também de virada, diante da norte‑americana Hailey Baptiste, repetindo agora um roteiro dolorosamente parecido.
Na segunda rodada, Jones enfrentará a tcheca Marie Bouzkova, cabeça de chave 27, que avançou ao bater a italiana Lucia Bronzetti por 6/3 e 6/1.

Jogo começa perfeito para Bia, mas roteiro muda a partir do segundo set
O início de partida sugeria uma tarde tranquila para Bia. Logo no primeiro game, ela quebrou o saque de Jones e, apesar de ser pressionada na sequência, confirmou o serviço, abrindo 2 a 0. A parcial foi a mais equilibrada em termos de volume de jogo, com chances para os dois lados, mas a brasileira foi mais agressiva e eficiente nas definições.
Com boa combinação de primeiro saque e bolas profundas no fundo de quadra, Bia abriu 4 a 1, consolidou a vantagem em 5 a 1 e voltou a quebrar o serviço da britânica para fechar o primeiro set em 6 a 1. Foi um placar amplo e uma atuação firme, especialmente levando em conta o momento recente de derrotas duras em 2025 e 2026.
O segundo set começou na mesma toada. Bia confirmou o saque, conseguiu nova quebra e fez 2 a 0, controlando os ralis e ditando o ritmo. Jones reagiu pela primeira vez no jogo ao devolver a quebra, diminuindo para 2 a 1, mas a brasileira manteve a frente e, mais adiante, voltou a quebrar para abrir 4 a 2.
A partir daí, o duelo mudou de cara. Bia reduziu o índice de primeiros saques e passou a cometer mais erros não forçados, enquanto Jones encaixou melhor a devolução e alongou os pontos. A britânica devolveu a quebra, empatou em 4 a 4 e, na sequência, conseguiu virar para 5 a 4 após um game longo, em que a brasileira ainda salvou break point antes de ceder o serviço.
Mesmo abalada pelo momento, Bia reagiu. Com 5 a 4 contra, teve duas chances de quebra, desperdiçou a primeira, mas concretizou a segunda, devolvendo o break e deixando tudo igual em 5 a 5. O alívio, porém, durou pouco: no game seguinte, Bia voltou a ser quebrada, e Jones abriu 6 a 5.
Sacando para permanecer no set, a brasileira salvou dois set points, aproveitou uma dupla falta da britânica e conseguiu levar a parcial ao tie‑break. No desempate, porém, foi Jones quem tomou a iniciativa. Ela largou à frente, abriu 4 a 2, contou com erros de Bia para manter a vantagem e fechou o tie‑break em 7 a 4, empatando o jogo em 1 a 1.
Terceiro set escapa rápido e confirma virada da britânica
No set decisivo, Bia ainda deu um último sinal de resistência, confirmando o primeiro game de serviço. A partir daí, entretanto, o controle foi todo de Jones. Mais solta após virar o segundo set, a britânica passou a dominar as trocas de bola, explorar melhor o lado do backhand da brasileira e pressionar constantemente o saque de Bia.
Foram três quebras sofridas pela paulistana no terceiro set, com Jones abrindo vantagem confortável e administrando o placar até fechar a parcial em 6 a 2. A britânica, que nunca havia vencido Bia em confrontos anteriores, conseguiu sua primeira vitória sobre a brasileira justamente em um Grand Slam, num jogo em que virou um cenário amplamente desfavorável no início.
Eliminação em simples, mas calendário segue com duplas e grama
Apesar da queda precoce em simples, a participação de Bia em Paris não se encerra por completo. Em busca de recuperar ritmo e confiança, a brasileira também está inscrita na chave de duplas de Roland Garros, ao lado da russa Liudmila Samsonova.
Na estreia, a parceria encara a ucraniana Lyudmyla Kichenok e a norte‑americana Desirae Krawczyk, dupla cabeça 9 em Paris. Quem avançar pode enfrentar, na segunda rodada, a tcheca Marie Bouzkova e a espanhola Sara Sorribes ou as indonésias Aldila Sutjiadi e Janice Tjen.
A opção por seguir competindo em duplas faz parte da estratégia de Bia para acumular mais jogos, trabalhar confiança e ajustar detalhes técnicos em situação de competição. Depois de Roland Garros, a brasileira já tem prevista a disputa do WTA 125 de Birmingham, na grama, durante a segunda semana do Slam francês, início da preparação para a curta temporada sobre a superfície que leva a Wimbledon.
Mesmo em fase difícil, Bia mantém um calendário intenso e tenta transformar a sequência de partidas em duplas e na grama em ponto de virada para reencontrar o nível que a levou ao top 10 e à semifinal em Paris em 2023.
