A temporada de 2026 tem exposto um cenário desafiador para o tênis feminino no Brasil, com número reduzido de competições e impacto direto no desenvolvimento das atletas. Após um ciclo anterior mais robusto, a ausência de torneios em boa parte do calendário acendeu um alerta entre jogadoras e profissionais do meio, que enxergam na escassez de eventos uma barreira para a evolução no circuito internacional.
A situação gerou manifestações públicas, como a da ex-tenista Teliana Pereira, que destacou a dificuldade enfrentada pelas brasileiras diante da falta de oportunidades em casa. “Cadê os torneios femininos no Brasil? Hoje fui dar uma olhada no calendário da ITF e WTA e fiquei de queixo caído ao perceber que até a data de hoje não há nenhum torneio previsto no Brasil este ano, com exceção, claro, do WTA 250 de São Paulo. Quando me perguntam quais são as maiores dificuldades de ser tenista mulher no Brasil, parte da resposta está aí, além de tantas outras”.
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Apesar do cenário ainda limitado, alguns projetos começam a ganhar forma e apontam para uma retomada gradual. Entre os organizadores, o Instituto Sports trabalha na estruturação de uma série de eventos ao longo do ano, incluindo um torneio ITF W15 em Rio Claro, previsto para junho, além de um W35 em São Paulo, nas quadras do Esporte Clube Pinheiros, em julho. O calendário também contempla etapas de nível W15 no segundo semestre, com possibilidades em São Luís e Mogi das Cruzes.
Outro agente importante nesse movimento é o Instituto Esperança do Amanhã, que projeta a realização de um W35 em São Paulo, no Clube Paineiras do Morumby, e principalmente de um WTA 125 que tem Curitiba como favorita. O torneio está previsto para outubro e poderá ter como sede o tradicional Graciosa Country Club, em quadras de saibro, reunindo atletas de alto nível e colocando a capital paranaense no mapa dos grandes eventos internacionais do tênis feminino.
Além dessas iniciativas, o circuito brasileiro ainda deve contar com etapas WTA 125 já consolidadas, como as do Rio de Janeiro e de Florianópolis, que seguem previstas no calendário e mantêm o país inserido na rota global da modalidade.
Mesmo com um número menor de competições, o histórico recente reforça a importância desses torneios para o surgimento de novos talentos. Em temporadas anteriores, jovens brasileiras conseguiram somar seus primeiros pontos no ranking e iniciar trajetórias promissoras justamente atuando em solo nacional.
“Não poder competir em casa é muito triste. Ter que viajar o tempo todo e desembolsar uma fortuna todos os meses para seguir competindo é uma realidade que poucas conseguem sustentar. Por que será que é tão difícil fazer torneios femininos no Brasil”, completou Teliana.
Dentro desse contexto, a confirmação de novos eventos, especialmente o WTA 125 em Curitiba, surge como um sinal positivo para o fortalecimento do calendário e para a criação de oportunidades mais consistentes às atletas brasileiras ao longo de 2026.

